14 de julho de 2009

Os piores - Vol. 1

Depois de o Jorge Fiel ter feito uma lista com os melhores sítios no Porto para sair/comer/beber/dormir/etc, percebi que mais urgente era fazer a minha lista com os piores sítios no Porto para se jantar e ir sair. Qualquer pessoa que frequente estes locais mais que uma vez por ano (e só por arrastão dos amigos) devia ser imediatamente baleada com sete tiros de caçadeira. Na cabeça. E depois era pegar-lhe fogo, só para ter a certeza das coisas.

Ponto prévio: esta lista é 100% correcta. Se eu digo, é porque é, e falo com conhecimento de causa. Obviamente existirão locais ainda piores, mas esses são os sítios onde eu nem sequer ponho os pés à partida.

Vou fazer isto por partes, com 1 ou 2 sítios por post, porque tenho pouca pachorra para escrever tudo num.

Ora bem, passando ao que interessa, começo com alguns dos piores restaurantes cá do burgo.

Lar do Motorista
Os meus colegas de curso parecem adorar este restaurante, já que os "jantares de curso" são sempre lá. Fica em Matosinhos, perto do Norteshopping, e é barato (uns 6,5€ por pessoa). Pelo que me parece, é uma espécie de local de culto para universitários bêbados que gostam de conviver à hora do jantar. O facto de ter estudantes comprova, por si só, a merda que aquilo é.
Mas deixem-me explicar-vos melhor. Fui lá uma vez jantar, uma amiga fazia anos e não quis dizer que não. Arrependi-me ao fim de 2 minutos. A comida é má, muito má. São batatas fritas gordurosas e entrecosto e essas coisas baratas mas que são uma merda naqueles sítios. O serviço é péssimo: obrigaram-nos a pagar ANTES de começarmos a jantar (sem dúvida inédito), são antipáticos e a suposta comida e bebida "à descrição" (outro indicador negativo) são à descrição até os senhores acharem que já chega. Demoram anos a trazer mais comida e mais bebida, muitas vezes esquecem-se. A simpatia não é um conceito muito comum aqui, o que também ajuda bastante à classificação negativa. O facto de sermos obrigados a pagar antes faz com que as pessoas normais tenham vontade de sair imediatamente de lá. Basicamente, estão a dizer que não somos de confiança, o que não é um bom começo para uma relação entre restaurante e cliente.
Ambiente miserável, cheio de estudantes atrasados mentais a fazer barulho e a embebedarem-se em 4 minutos com 2 copos de cerveja. Batem ruidosamente com os talheres na mesa enquanto berram aquelas idiotices das faculdades. Ouvem-se hits como "se o Arnaldo quer ser da nossa malta", "Letras é Merda", "Em cada cientista há um brochista" e outras barbaridades do género. Pelo meio bebem que nem cães e começam a falar ainda mais alto. A taxa de azeiteiros/barraqueiras é também extremamente elevada. Alguns segundos neste restaurante e percebemos porque é que a taxa de desemprego nos universitários é tão grande.

Assador Típico (Zona Industrial)
Há vários restaurantes desta cadeia pelo Porto fora, mas debruço-me essencialmente sobre o que fica situado na Zona Industrial do Porto, perto das discotecas da moda. Uma vez fui ao das Antas e não era tão mau assim, apesar de a comida não ser grande coisa. O da Zona Industrial é fraco a todos os níveis. Começa pela clientela, que emana puro azeite do mais alto calibre. Camisinhas pretas justas e abertas até meio e muito gel no cabelo nos homens, e nas gajas mini-saias ridículas a mostrar as coxas que parecem troncos de sequóias e tops cheios de brilhantes e merdas assim. Mas ok, isto seria minimamente suportável, não fossem as outras condicionantes que fizeram com que eu simulasse uma dor de cabeça às 23h15 para poder sair deste restaurante mais cedo.
Como qualquer restaurante virado para o churrasco, o Assador Típico foi tomado de assalto pelos brasileiros. Todos os empregados são brasileiros, mas isso tudo bem. Claro que o problema é que isto implica que umas colunas estejam a despejar constantemente música brasileira de merda durante horas a fio. As barraqueiras divirtem-se e adoram, os empregados parecem mais preocupados em dar show do que em cumprir a sua missão e servir os clientes, e os azeiteiros parecem adorar. O restaurante está cheio de mesas enormes com jovens e jovens adultos que aqui celebram os seus aniversários numa orgia de tortura musical e má comida. Da única vez que lá fui, a comida vinha fria, e obviamente era para aí entrecosto grelhado com batatas e arroz. Falar com as pessoas da mesma mesa é virtualmente impossível, por causa da música brasileira que ensurdece os clientes. Como se não bastasse, as barraqueiras vibram e começam a cantar aos berros quando começa a dar a "Poeiraaaa" e lixo desse tipo.
O momento alto começa para aí às 22h45, quando está tudo a acabar de jantar. Os aniversariantes são convidados a ir para um palco e fazer as maiores idiotices. Acho que geralmente é cantar e dançar, actividades que se forem misturadas com o azeite entram em rápida explosão. Nesta altura a música fica ainda mais azeiteira, e ficam umas 6 ou 7 pessoas lá no palco com um microfone. Não sei qual era o objectivo daquilo porque saí mais cedo. Ainda fui a tempo de ver várias pérolas. Cantam-se os parabéns colectivamente e ad eternum a toda a gente que faz anos, o que por si só é uma idiotice. Eu fui lá porque uma colega fazia anos, e não porque uma orca estúpida com um top que lhe põe as banhas todas à mostra fazia anos, por isso agradecia não ter que lhe cantar os parabéns. Depois, a certa altura, chega um pretalhão que se deve chamar Jamal ou assim, apenas munido de uns mui-reduzidos calções de ganga. Dança loucamente no palco junto das aniversariantes que rejubilam e riem aparvalhadamente. A multidão delira com a situação e aplaude fervorosamente e incentiva o acontecimento. Os empregados já estão nesta altura a dançar despreocupadamente pela sala, e a música aumenta ainda mais de volume, mesmo quando se achava que isso era tecnicamente impossível.
É mais ou menos por esta altura que digo que não aguento mais a "dor de cabeça" e venho embora.

27 de março de 2009

Calor com frio no pescoço

Nos tempos recentes, tenho verificado um fenómeno deveras interessante. Como devem saber, eu sou pouco dado a essas coisas da moda. Bom, gosto bastante de dizer mal das modas recentes, porque são invariavelmente ridículas e bastante risíveis. Mas, por favor, não entendam com isto que me visto mal ou ando aí como um militante do BE.

Neste momento, um dos fenómenos é usar t-shirt e cachecol. Eu sei que isto soa a uma barbaridade, eu sei, eu sei. Vejamos a definição de cachecol:

O cachecol é uma peça de vestuário. Consiste em uma faixa longa de tecido, muitas vezes tricotadas em lã. Utilizada em volta do pescoço quando faz frio, para aquecer.

In wikipedia. O português é macarrónico, mas dá para entender. Ora bem, "quando faz frio". Vamos reflectir. A última vez que verifiquei, ninguém usa t-shirt quando faz frio, a menos que seja se seja doente mental. E aí é que entramos num vortex de pura estupidez. Nos últimos 3 ou 4 anos, este fenómeno da moda tem aumentado exponencialmente.

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que vi alguém a usar a combinação t-shirt e cachecol (a partir de agora TS&C). Era um emo da turma de artes da minha Escola Secundária. O gajo tinha um cabelo nojento e um aspecto muito pálido, e andava muitas vezes de t-shirt preta e cachecol grosso de lã. Obviamente que não me contive quando vi esta aberração, e gritei "Olha que caralho! Essa merda faz algum sentido, oblá?". A moda foi, infelizmente, crescendo, e tornou-se prática comum entre os pseudo-intelectuais e os pseudo-emos do Porto. Penso que eles nunca pararam para pensar que aquela merda era absolutamente ridícula, e a moda foi-se mantendo.

E mais perigoso: evoluiu e passou para outro público. Se dantes eram os artistas e os deprimidos, agora são os bonitões todos fashion que acham a combinação TS&C é do melhor. Não é raro ver o azeiteirola com a sua t-shirt preta e justinha da moda, com um belíssimo cachecol. Ganham pontos se tiver várias cores (especialmente se incluir o cor-de-rosa), ou se for aquele Keffiyeh (acho que é assim, o mítico cachecol à Arafat).

As gajas adoram esta merda, e têm orgasmos múltiplos ao ver um gajo de TS&C. Ficam húmidas como se lhes estivessem a fazer alguma coisa de interessante na zona vaginal, e suspiram pelos azeiteirolas. Já eu escorrego no azeite e fico cheio de dores nas costas por causa da queda desamparada. Mas será que ninguém pensa, que ninguém entende que esta merda não faz sentido nenhum nenhum nenhum? É a mesma coisa que andar de t-shirt e luvas ou de calções e meias grossas de lã. Pensando bem, acho que vou inaugurar uma destas, vou andar de calções e meias de lã até aos joelhos, para parecer um gajo mesmo fashion e bonitão. Se tiver 30 e tal anos e mentalidade de 16 é que faço furor, mas isso são contas de outro rosário.

Provavelmente, daqui a 10 anos toda a gente recordará esta ideia absolutamente execrável como um dos maiores erros da moda. Os azeiteiros andarão agora com capacetes das obras para "mandar pausa", e a TS&C estará enterrada há algum tempo. Restarão talvez os pseudo-artistas, com a sua mania toda retro. E eu serei uma pessoa mais feliz por não ter que ter ataques de raiva ao ver azeiteiros de t-shirt e cachecol, numa combinação que desafia todas as leis da lógica e da vida em sociedade.

13 de janeiro de 2009

Tomar medicamentos é overrated.

No outro dia soube que algumas colegas minhas estavam a tomar CEREBRUM por causa dos exames da Faculdade. Para quem não sabe, Cerebrum é um medicamento que ajuda "a memória e a capacidade intelectual" de adultos e jovens.

Obviamente, ri-me arrogantemente durante dias a fio. Agora sim, estou capacitado para comentar tal situação.

Tomar Cerebrum não vos torna mais inteligentes, ponto um. Ponto dois, não deixam de ser umas analfabetas. Não é por tomarem Cerebrum que vão ter na cabeça, como que por milagre, todas as teorias de Peirce e Saussure sobre signos. Também não vão compreender melhor as opiniões do Ciro Marcondes Filho sobre publicidade, porque não percebem nada de ideologias e sistemas. A vossa cultura não aumenta. Tomarem Cerebrum aumenta duas coisas: o meu riso e, sendo generoso, a capacidade de marrar conceitos.

Decoram melhor, talvez. Mas, reparem. Estão a contribuir para um aumento do vosso analfabetismo. Tudo bem, graças aos super-poderes de Cerebrum até conseguem decorar palavra por palavra da análise de Moran à televisão. Mas não compreendem isso. Chegam ao exame, debitam, e esquecem. Ou seja, em última análise, Cerebrum só vos torna mais ignorantes ainda.

8 de janeiro de 2009

O frio é notícia?

Não, obviamente que não. Fazer manchetes com frio faz qualquer jornal parecer um personagem do Gato Fedorento (na altura em que eles diziam sempre "gostaria de começar por dizer que hoje está frio").
Sim, está frio. Big deal. No Porto esteve -1ºC. Big deal, quando estive em Varsóvia apanhei -14ºC e não morri. E depois fazem aquele circo todo à volta dos sem-abrigo e das tendas e não sei quê. Até parece que -1ºC mata alguém.

No Verão temos o fenómeno oposto. Chovem notícias por causa da "onda de calor" e dos alertas da Protecção Civil. Uma coisa sobre os alertas da PC: qualquer merdinha serve para eles terem logo tudo em alerta amarelo, ou uma coisa assim. Eu já nem ligo. Basta estar assim uma brisa leve para eles dizerem que há risco de ciclones e meterem o Norte todo a alerta amarelo. Previsões de chuva e trovoada já deve chegar para termos alerta laranja. Quando o termómetro passa os 28º, pronto, estamos perante uma enorme onda de calor e o país está em alerta vermelho.

E depois vão à Amareleja. Eu estou-me completamente a cagar para a Amareleja, mas todos os anos lá vão porque está calor à brava. Acho que não há nenhum equivalente para o frio, mas deviam arranjar. Podia haver motins na Amareleja que ninguém queria saber. Mas quando estão 40º, calma lá, há que ir para a aldeia em directo. O problema é que agora convencionou-se que aquele é o sítio mais quente de Portugal. Por isso, quando está calor, vão lá. Se calhar a aldeia ao lado até está com mais 2 ou 3 graus porque têm uma lupa gigante a aquecer aquilo para também aparecerem no Telejornal. Mas não conseguem, têm que mandar um popular qualquer ao programa do Fernando Mendes para falar na Junta e dar uns chapéus e t-shirts que ele nunca irá vestir.

É o estatuto.

6 de janeiro de 2009

Atravessar fora da passadeira não é inteligente.

E muito menos quando temos 82 anos e um nível de capacidade motora a roçar níveis negativos. No entanto, os velhos são mesmo os que mais arriscam. Parecem autênticos kamikazes.

Se a padaria é ali, não vou cá fazer mais 3 metros e atravessar numa passadeira, onde, apesar de tudo, há uma maior probabilidade de os carros pararem. No way, vou atravessar mesmo aqui, onde me arrisco a levar com um autocarro em cima, já que ainda por cima demoro 20 segundos a percorrer 2 metros. E isto com a ajuda das minhas 2 bengalas, porque de outra maneira nem me levantava.

E os vermelhos para os peões? Sou velho, já não me deixam conduzir, por isso vou boicotar todos os sinais de trânsito. Claro que me arrisco a levar com um Mercedes a 60 km/h, mas isso pouco me preocupa.

O que me parece é que eles sabem que o tempo deles está a chegar ao fim. Riem-se na cara da morte, e dos condutores enraivecidos que fazem travagens bruscas para eles atravessarem onde querem.

14 de novembro de 2008

Somos todos teimosos.

Quando se fazem aqueles inquéritos absurdos, há invariavelmente duas perguntas incómodas: "quais são as suas melhores qualidades?" e "quais são os seus maiores defeitos?". A primeira pergunta, por acaso, nem se revela nada incómoda. As pessoas não têm problema nenhum em abrir o coração e classificar-se com 3 ou 4 adjectivos porreiros, como "sou trabalhador, honesto, amigo do amigo" ou "sou simpático e com grande sentido de humor". Sim, dizer bem é fácil, mesmo que seja uma mentira pegada.

Já a outra pergunta... tem quase sempre a mesma resposta. Segundo estes inquéritos, 98% das pessoas só têm dois defeitos: a teimosia ou ser demasiado boa pessoa. Passo a explicar:

- A teimosia. Ser teimoso é daqueles defeitos que ninguém quer saber, que acaba por ser inofensivo. Quase toda a gente é teimosa, porque isso faz um bocado parte de génese humana. Quer dizer, só um grande otário gosta de dar o braço a torcer e tem prazer nisso. Obviamente que as pessoas insistam para que tenham razão. Portanto, caros amigos, ser teimoso não é um defeito assim tão escandaloso. E por isso mesmo é que toda a gente usa isso. Olha que bela maneira de nos safarmos destas perguntas incómodas: metemos lá um defeito quase inofensivo e pronto, está resolvida a questão. Inteligente, no mínimo. Mas também extremamente irritante. Ninguém é só teimoso. Mas já lá vamos.
- Ser demasiado boa pessoa, ao contrário do que alguns seres pensam, não é um defeito. Dizer coisas do género "o meu maior defeito é confiar demasiado nos outros" devia dar direito a uma tarde de chicotadas nas costas. Deixa cá ver se analisei bem: o maior defeito destas pessoas é ser tão boa alma que até confia nas pessoas, e estas é que desapontam e as fazem sofrer. Espera, isto é... usar os defeitos dos outros para escapar ao nosso próprio defeito! Genial... se não fosse uma aldrabice de merda. Esta é a maneira perfeita de dizer camufladamente "ei pá, sou tão boa pessoa que nem tenho defeitos, o único defeito que tenho é ser um anjo e não saber que as outras pessoas são todas umas bestas". Boa, boa. Eu vou-me repetir, mas foda-se, confiar nos outros não é um defeito. Arranjem desculpas melhores.

Isto leva-me ao último ponto. Como disse, ninguém é só teimoso ou só "demasiado-boa-pessoa-que-até-confio-nos-outros-que-depois-me-fodem-a-vida-ai-sou-um-coitadinho". Ser teimoso, para estas pessoas, deve significar coisas deste estilo:

- sou um cabrão mentiroso e egoísta;
- sou uma puta vaidosa e mimada;
- sou uma vaca traidora e sem escrúpulos;
- sou um ganancioso e invejoso de merda;

and so on. Isto sim, são defeitos a sério.

1 de novembro de 2008

A wikipedia não mente:

A FBAUP é também conhecida pela grande concentração de homossexuais e quengas nas suas instalações, fazendo da Faculdade uma das mais odiadas e desprezadas pela comunidade portuense. Das suas salas emana um cheiro a pseudo-intelectualismo que é bastante irritante. Alguns tripeiros iniciaram uma petição para lançar bombas e gás pimenta para dentro das instalações, tentando matar o maior número de "artistas" possível.

Retirado da Wikipedia, artigo da Faculdade de Belas-Artes da UP.

A wikipedia pode ser editada pelos users. Como aquilo já lá está há muito tempo, suponho que seja verdade.

Halloween: vai para o caralho!

É incrível.

Autocarro (como sempre). Telemóvel:

- Pai, logo à noite vou ao cinema com o pessoal da minha turma, e depois janto lá no shopping, porque hoje é Halloween.
- (qualquer coisa, mas se fosse eu dizia FODA-SE, VAI PARA O CARALHO, QUÉSSA MERDA DO HALLOWEEN?)
- Ok, vamos tentar ir à sessão das 18h30 (cabra mentirosa, eram 18h10 quando isto se passou), depois jantamos lá.

Agora descobri: além de produto capitalista, o Halloween é uma boa desculpa para a canalhada sair de casa.
Este ano, felizmente, ninguém me veio com tangas do Halloween. Ah wait,vieram, mas foi pessoal fixe e era para ir ao BláBlá. Mas mesmo assim, foda-se, o que raio é o Halloween? Eu sei o que é, isto é uma pergunta retórica, não percebo é porque é que alguém acha que é boa ideia festejar aquilo em Portugal. É a mesma coisa que festejar o S. João em Chicago. É uma estupidez.

- Dad, tonight i'm going to the movies with some friends, and i guess i will have dinner there, 'cause today is ST. JOHN'S DAY.
- Ok, be careful with the hammers and stuff. St John's Day really represents the american dream.

20 de outubro de 2008

Estatísticamente falando...

66% das minhas namoradas deixaram-me para namorar com amigos meus. A primeira tem o bónus de o ter feito duas vezes. A segunda tem a agravante de ser um namoro relativamente longo, e ainda por cima, o gajo era mesmo daqueles amigos de longa data.

A estatística não engana. As gajas são mesmo todas umas grandes putas. Pelo menos 66,66666% são.

16 de outubro de 2008

Nem de propósito...

Hoje ia no autocarro em direcção ao meu querido Estádio do Bessa quando mais um fascinante episódio do mundo dos transportes públicos aconteceu em frente aos meus olhos (e quase mais que isso).
Ora bem, o local do crime foi o 501, ali na paragem entre o Hospital Sto. António e o Palácio de Cristal. Nem sei como é que a paragem se chama, mas pouco interessa. Portanto, mais uma vez, um velho lembra-se que tem que sair quando o autocarro já vai a arrancar. E desta vez com uma agravante: ninguém tinha saído naquela paragem, nem ele tinha tocado lá no stop para o motorista saber que alguém queria sair. E depois disso, um momento semi-histórico: quando surge a mítica frase "a porta de trás, senhor motorista", o líder do autocarro 501 não abriu a porta. Após a insistência do velho... nada! STCP 1-0 velhos. Mas...

Mas não acaba aqui. Extremamente indignado, o velho lançou alguns lamentos inicialmente, passando rapidamente a uma modalidade que eu desconhecia: enumerar as doenças que teve ao longo dos seus 86 anos (!) e dizer que esperava que o motorista passasse pelo mesmo. Eu estava a ouvir música neste momento, mas percebi pelo menos "três pancadas", "Magalhães Lemos" e "cancro na boca". Bonito e profundo, sem dúvida. Já tinha ouvido muita coisa, mas nunca nada com esta força.

E é nesta altura que o velho, batendo ruidosamente com a bengala no chão do autocarro, se senta ao meu lado. Que sorte a minha. Não satisfeito, tem durante um ou outro segundo uma espécie de espasmo, que assusta um ou outro passageiro. Mas eu, caros amigos, nunca temi pela minha integridade física. Eu conheço os velhos, eles estrebucham muito mas depois nada. Sempre a mesma coisa.

Depois acabou por sair na Praça da Galiza, não sem antes desejar que quando o motorista tivesse 86 anos lhe fizessem o mesmo. Inovador, no mínimo.

Este blog podia-se dedicar apenas a estes episódios. Mas tendo em conta que 97% das coisas me irritam profundamente, tenho muito por onde pegar. Sou um revoltado!